Forest Green Rovers, o primeiro clube 100% vegan
Existem imensas histórias de clubes que nos deixam com mais vontade de pesquisar e saber mais. Depois de termos vistos um grupo de fãs de Championship Manager fundar um clube chamado FC Tó Madeira, de um espanhol que se tornou presidente de um clube e o chamou de Flat Earth FC (terraplanista), na rubrica de hoje de Clubes Alternativos falamos do Forest Green Rovers, clube que milita nos escalões secundários de Inglaterra mas que foi notícia em todo o mundo por algo muito especial: tornou-se o primeiro clube 100% vegano do mundo para além de outras medidas em prol da natureza.

Em Inglaterra existe um clube que tem dado que falar, o Forest Green Rovers é o primeiro clube 100% vegano e os jogadores não se importam com isso. Mas vamos entender o começo de toda esta história que tudo começa devido a Dale Vince, um industrial britânico de "energia verde".
O Forest Green Rovers, sediado na pequena vila de Nailsworth, é um dos clubes mais antigos do mundo com 130 anos. Nos últimos dez anos tem vivido uma história bem diferente dos seus antepassados. Quando o Forest Green e Dale Vince se encontraram, a vida dos adeptos, jogadores e do próprio clube mudou para sempre.
Dale Vince é um britânico, conhecido por ser um homem de negócios, dono da empresa de segurança Ecotricity. Em 2010, tornou-se sócio maioritário do Forest Green Rovers e três meses mais tarde foi nomeado presidente do clube.
Após essa data, e sendo Dale Vince vegano, tentou trazer as decisões da vida pessoal para a vida do clube, mas de uma forma controlada. Em 2011, por exemplo, tomou a primeira medida mais drástica: baniu todos os jogadores do clube de comerem carnes vermelhas por razões de saúde e, semanas mais tarde, baniu todas as carnes para os jogadores e adeptos deixando apenas no menu opções vegetarianas e de peixes (provenientes de unidades populacionais sustentáveis). Até que em 2015, o Forest Green tornou-se o primeiro clube do mundo com opções apenas veganas.
A indústria da carne e lacticínios é responsável por mais emissões [de dióxido de carbono] do que todos os aviões, comboios, carros e barcos existentes no planeta. Só na Grã-Bretanha, em cada ano são mortos mais de mil milhões de animais – três milhões por dia – e nem sequer estou a contabilizar o peixe. Cada um destes animais tem uma vida curta e penosa e cada um deles consome mais comida do que aquela que os seus corpos nos fornecem.
Dale Vince, sustentando a decisão de retirar carne animal do recinto
Mas antes dessas políticas, Dale Vince foi apostando noutros setores, não apenas no fator alimentar. Toda a energia das instalações do clube vem de recursos naturais, sendo parte dela gerada pelos painéis solares do estádio. Também se preocupam com a poluição, o estacionamento não tem muitos lugares e os que tem são reservados a carros elétricos, possuíem ainda vários carregadores de bateria elétrica.
Livre de pesticidas e herbicidas, a relva é adubada com algas marinhas. Para cortá-la, é usado um cortador de relva elétrico direcionado por GPS, alimentado por energia aproveitada do sol. Já a água da chuva é usada para a irrigação do solo.

As medidas ainda não terminaram, a camisola do clube para esta temporada conta com metade do material da camisa a ser produzido com uma mistura de bambu, reduzindo o uso de plástico. As camisolas de jogo exibem o logótipo da ONG Sea Shepherd, que trabalha na proteção dos seres marinhos. Na parte da frente, aparece ainda a empresa "Ecotricity" da qual Dale Vince é dono.
O limite é o céu, as ideias que Dale Vince tem para o clube ainda são muitas. Existem novos projetos que o dono do clube tem em mente, por exemplo o clube da quarta divisão já teve autorização para construir um novo estádio. Terá capacidade para cinco mil pessoas e será quase todo feito de madeira.
Alguns jogadores e funcionários não aceitaram muito bem a opção do clube pois consideravam vitais para si o consumo de carne durante os estágios do clube, apesar dos problemas Dale Vince decidiu levar a medida avante: «começámos, de forma regular, a mostrar-lhes toda esta nova realidade. Na verdade, a alimentação que oferecíamos já era, em grande medida, vegana». Os jogadores possuíem um nutricionista para ajudar nos momentos que não estão no clube, Dale Vince afirma que os jogadores não têm qualquer restrição e se quiserem podem comer pratos de origem animal, mas ainda assim admite que a maioria dos jogadores não o faz e que adotou a medida do clube para a sua vida pessoal.

O clube começou a colher os frutos das mudanças nos últimos anos e alcançou a quarta divisão na temporada passada. O sonho de Vince é, num período de cinco anos, levar o Forest Green da quarta divisão até ao Championship (segunda divisão inglesa) e fazer com que as pessoas comecem a questionar sobre os problemas ambientais no mundo.