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Terceiro Tempo

"Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola." - Nelson Rodrigues

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Carlos Fierro, a maior estrela dos últimos vídeojogos

20.06.20, Terceiro Tempo

Para o adepto comum, o nome de Carlos Fierro poderá ser desconhecido e não fazer sentido dedicarmos uma publicação para ele. Para um adepto dos vídeojogos, mais concretamente do Football Manager, toda a gente conhece Carlos Fierro. Provavelmente a maior promessa do jogo de computador dos últimos 10 anos.

Carlos Fierro nasce a 24 de julho de 1994 no México. E desde cedo, como não é surpresa do México, sempre teve o desejo de se tornar futebolista. Começou a dar os primeiros toques na bola mais o seu irmão, Gustavo, num clube subsidiário do Chivas Guadajara, um dos principais clubes do México. O seu irmão, em 2007, tendo apenas mais um ano que Carlos Fierro, tentou a sua sorte no Chivas e, um ano mais tarde, Fierro acompanhou-o nesta missão de ambos se tornarem futebolistas profissionais. Fierro tinha apenas 14 anos na altura.

Fierro e o irmão estavam próximos do objetivo: enquanto Fierro jogava pelas camadas jovens, o seu irmão era convocado para a equipa B do Chivas estando próximo de chegar ao plantel principal. Infelizmente, Gustavo foi diagnosticado com cancro e abandonou o clube e retornou a casa para começar os tratamentos e estar próximo da sua família e, sendo assim, Fierro também teria de voltar a casa desistindo do seu sonho de se tornar futebolista. Porém, a família de Gustavo Casillas, companheiro de Fierro nas camadas jovens do clube, falou com a família de Fierro e com o clube, e "adotaram" Fierro pelo tempo que ele precisa-se até chegar à equipa principal. Uma atitude louvável.

Fierro era presença assídua nos vários escalões da seleção mexicana e por isso, sem surpresa, foi convocado para o Mundial sub-17 em 2011 sediado no México e foi aqui que Fierro explodiu e tornou-se no centro das maiores promessas do futebol daquele país. A seleção comandada por Raul Gutiérrez surpreendeu tudo e todos e conquistou o Mundial, com Fierro a ser um dos principais destaques da equipa com quatro golos marcados, titular em todos os jogos (inclusive a final) sendo o terceiro melhor jogador do torneio. Os seus companheiros Júlio Gomez e Jonathan Espericueta, recebeeram a bola de ouro e prata respetivamente. O que têm em comum estes três jogadores? Foram destaques nas seleções jovens mas nunca jogaram pela seleção principal do México (até ao momento que esta rúbrica está a ser escrita).

Com a moral em alta com a conquista do Mundial de sub-17, Fierro é chamado à equipa principal do Chivas e dias depois estreia-se com a camisola do Chivas num jogo diante do Monterrey com apenas 17 anos. Ao longo de todo o Apertura de 2011, Fierro jogou como suplente utilizado em 8 ocasiões sem conseguir marcar um golo. Continuaria a ser aposta para o Clausura e para a Libertadores, estreando-se a marcar como sénior precisamente num jogo da Libertadores diante do Deportivo Quito. Os adeptos gostavam de Fierro e começou a chamar atenção dos principais clubes europeus para a sua contratação.

Na temporada seguinte, alguns problemas musculares impediram Fierro de ter uma participação mais ativa na equipa cumprindo apenas 19 jogos, muito deles apenas na condição de suplente utilizado. Ainda assim termina a época com dois golos marcados e preparado para explodir nas próximas temporadas.

Sendo considerado pela imprensa como The Next Chicharito (o próximo Chicharito, que jogou no Manchester United) foi atraindo a atenção dos principais clubes europeus, principalmente os rivais de Espanha: Barcelona e Real Madrid. Nunca avançaram para a sua contratação.

Em 2013/14 é quando Carlos Fierro se afirma no futebol mexicano. Sendo titular e peça basilar na equipa, Fierro ajudou o Chivas numa fase muito complicada que o clube atravessava naquele ano com a possibilidade de descerem de divisão a ser quase uma realidade. Com apenas 2 vitórias no Apertura e no Clausura apenas 5, a época foi um inferno para os jogadores e adeptos. E essa má fase foi-se prolongando na temporada seguinte com mais uma combinação de maus resultados e futebol pouco regular ao longo de toda a época. Do ponto de vista individual apenas, foi a melhor época de sempre de Fierro porque foi a época em que mais jogos e minutos participou e fez balancear as redes adversárias por quatro vezes.

Com apenas 20 anos, Fierro tinha mais de 120 jogos realizados na Liga Mexicana e nunca se percebeu muito bem porque não deu o salto para a Europa nesta fase da sua carreira. Apesar de ser um jogador com muito pouco golo, dos 120 jogos realizados apenas tem 10 golos marcados, tinha dado provas que merecia o salto para um outro patamar de competitiva de pudesse continuar a sua evolução natural.

Começaria a época de 14/15 ao serviço do Chivas fazendo metade da temporada (apenas o Apertura) e seguiria viagem para o Querétaro, também do México, por empréstimo de uma temporada com o Querérato a dispôr de opção de compra no final do empréstimo. Ao fim de um ano e sem convencer os responsáveis do clube e com uma época bem aquém do esperado (muitas vezes sendo suplente) foi natural o regresso de Fierro ao Chivas. Por lá ficou mais um ano e meio e foram épocas de conquistadas: campeão nacional com a camisola do seu clube de coração, o Chivas e igualmente a conquista da Taça. Mesmo não tendo o mesmo protagonismo de temporadas anteriores, Fierro termina esse ano e meio com 7 golos marcados e mais de 50 jogos realizados.

Terminando o Apertura da temporada 17/18, o Cruz Azul, equipa do México, assume interesse em contar com o serviço do jogador e para isso apresentou uma proposta junto do presidente do Chivas de 2,5 milhões de euros que foi prontamente aceite e Fierro juntava-se ao seu terceiro clube na carreira, depois de Chivas e o empréstimo falhado ao Querétaro.

O Cruz Azul, clube sediado na Cidade do México é um histórico clube que viveu os seus tempos áureos na década de 70. Atualmente, está há 23 anos sem conquistar um campeonato nacional. O investimento que fizeram na jovem promessa Carlos Fierro era para pôr um termo nesse jejum. O problema é que Fierro falhou redondamente e só teve seis meses no clube. Sem convencer nos 17 jogos que participou e com apenas 1 golo marcado, Fierro é emprestado ao Morella da primeira divisão Mexicana para voltar a ter a regularidade exibicional de tempos passados. O empréstimo era sem opção de compra pelo que o Morella jogou com isso e Fierro não teve assim tanto destaque numa equipa de pouca expressão do futebol mexicano. Com algumas intermitências no seu jogo, tanto era titular como suplente utilizado, voltou a não convencer e o sonho dos amantes do Football Manager que Fierro pudesse ainda explodir para o futebol começou a desaparecer. Com 24 anos e com mais de 200 jogos no México e sem nunca ser chamado à primeira equipa da seleção daquele país, Fierro teria de mudar de ares, experimentar um novo país, um novo campeonato de forma a tentar recuperar alegria do futebol.

Em julho de 2019, a oportunidade de mudar de ares chegou por intermédio de Matias Almeyda, técnico que orientou Fierro durante duas épocas no tempo do Chivas em que juntos conquistaram alguns títulos importantes para os adeptos do clube. O destino seria um país próximo do México, o clube? San Jose Earthquakes, da primeira divisão dos Estados Unidos da América. Chegando a meio da época, era esperado que Fierro não tivesse a influência que era desejada. Novo país, nova cultura e um clube que não tem muito histórico na América. Ainda assim, Fierro participou em 7 jogos (apenas 2 como titular) e não foi capaz de ajudar o San Jose Earthquakes a chegar aos playoffs da liga. 

Com a realização da pré-temporada com o clube e com maior integração entre os companheiros de equipa, adivinha-se uma época de afirmação para Carlos Fierro. Porém, com toda a situação da pandemia gerada pelo Covid-19, a MLS só arrancou por duas jornadas e Fierro apenas jogou numa delas como suplente utilizado. Com toda a situação que ainda ocorre nos Estados Unidos, não deverá voltar tão cedo o futebol por aquelas bandas. Pelo que deveremos esperar mais alguns meses para voltar a ver Fierro em ação.

Com Fierro a cumprir 26 anos daqui a um mês, certamente nesta altura será complicado chegar a um grande clube europeu como foi cogitado nas suas primeiras épocas ao serviço do Chivas do México. Ainda assim, se tiver uma boa prestação pelo campeonato norte americano, é possível que existiam clubes interessados no jogador que o possam atingir um outro nível exibicional que prometeu que iria atingir mas nunca conseguiu chegar a tal.