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Terceiro Tempo

"Football, bloody hell!" – Sir Alex Ferguson (1999, após a conquista da Champions League)

Terceiro Tempo

"Football, bloody hell!" – Sir Alex Ferguson (1999, após a conquista da Champions League)

Qui | 14.08.25

PSG conquista troféu inédito após reviravolta dramática

O Paris Saint-Germain escreveu ontem uma das páginas mais memoráveis da sua história ao conquistar, em Údine, a primeira Supertaça Europeia do clube, batendo o Tottenham num jogo carregado de drama e emoção. O encontro terminou 2-2 no tempo regulamentar e só se decidiu nas grandes penalidades, com triunfo parisiense por 4-3.

Os londrinos entraram melhor, organizados e confiantes sob o comando de Thomas Frank. A estratégia defensiva e a eficácia nas bolas paradas renderam frutos: Micky van de Ven abriu o marcador aos 39 minutos e, já na segunda parte, Cristian Romero aumentou a vantagem com um cabeceamento em que o guarda-redes do PSG ficou mal na fotografia. Com dois golos de atraso e o relógio a avançar, o PSG parecia condenado à derrota.

Mas, como tantas vezes acontece no futebol, a história virou nos instantes finais. Lee Kang-in deu o primeiro sinal de esperança aos 85 minutos com um remate colocado. E, quando os ingleses já sentiam o troféu nas mãos, Gonçalo Ramos, vindo do banco, apareceu aos 94 minutos para empatar de cabeça, levando o jogo para penalties.

Nos penáltis, Vitinha falhou para o PSG, mas Van de Ven e Mathys Tel desperdiçaram para os Spurs. A noite acabaria por pertencer a Lucas Chevalier, jovem guarda-redes que, na sua estreia pelo PSG, defendeu um penálti e exibiu uma frieza digna de veterano. Coube a Nuno Mendes o remate decisivo, que carimbou a vitória e fez explodir a festa parisiense.

No final, Luis Enrique admitiu que “durante 80 minutos o Tottenham merecia ganhar”, mas enalteceu a capacidade da sua equipa de nunca desistir. Thomas Frank, orgulhoso, destacou a exibição dos seus jogadores, lamentando apenas a lotaria cruel dos penáltis. Ousmane Dembélé, determinante com a assistência para o golo do empate, foi eleito Homem do Jogo.

Para o PSG, este triunfo não é apenas um título: é a consagração de uma época perfeita, juntando Supertaça Europeia à Ligue 1, Taça e Champions League. Um feito que confirma o estatuto de gigante europeu e deixa no ar a sensação de que este grupo ainda pode escrever muito mais história.

A final de Údine teve forte marca portuguesa, tanto no relvado como na equipa de arbitragem. No PSG, Nuno Mendes foi o herói silencioso ao converter o penálti que decidiu o título; Gonçalo Ramos entrou para assinar o golo salvador no último suspiro; e Vitinha, apesar de falhar da marca dos onze metros, foi peça fundamental na circulação e construção de jogo. João Neves esteve no banco, pronto a entrar se necessário. Do lado do Tottenham, João Palhinha mostrou a sua habitual solidez no meio-campo, impondo-se nos duelos e no posicionamento.

A direção do encontro coube a uma equipa de arbitragem também portuguesa, liderada por João Pinheiro, que, com os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, assinou uma exibição segura e criteriosa, mantendo o jogo limpo e controlado numa final de alta intensidade.

Dom | 10.08.25

Cabo Verde, os tubarões com "fome" de glória

Durante décadas, a seleção de futebol de Cabo Verde viveu na sombra do continente africano. País pequeno, com pouco mais de meio milhão de habitantes, sem grande tradição desportiva internacional, era natural que o arquipélago atlântico fosse muitas vezes desconsiderado nas previsões de qualificação para torneios de topo. No entanto, nas últimas duas décadas — e com especial intensidade nos últimos 10 anos — Cabo Verde tem surpreendido o mundo do futebol com uma evolução sustentada, metódica e notável, que hoje a coloca às portas de uma qualificação histórica para o Campeonato do Mundo de 2026.

Cabo Verde sempre viveu muito intensamente o futebol e está perto do sonho da 1º participação num Mundial (Créditos: AF Sport)

O ponto de viragem: da invisibilidade à afirmação continental

A transformação começou de forma simbólica em 2013, quando Cabo Verde se qualificou pela primeira vez para a Taça das Nações Africanas (CAN). E não foi uma mera participação: atingiram os quartos de final, eliminando Angola e Marrocos na fase de grupos e demonstrando uma maturidade tática invulgar para uma seleção estreante. Este feito despertou as atenções internacionais e acendeu um novo orgulho nacional.

A presença em edições subsequentes — 2015, 2021 e, sobretudo, 2023 — cimentou a posição da seleção cabo-verdiana no mapa do futebol africano. Na edição de 2023, realizada na Costa do Marfim, os Tubarões Azuis voltaram a brilhar: venceram o Gana e Moçambique na fase de grupos, eliminaram a Mauritânia nos oitavos e caíram nos quartos frente à anfitriã, mas de cabeça erguida. Esta prestação provou que Cabo Verde já não é uma surpresa: é uma realidade consolidada.

As raízes do crescimento: investimento, organização e talento da diáspora

Mas o sucesso não se explica apenas com bons resultados em campo. A evolução da seleção nacional deve-se a um conjunto de fatores estruturais, sociais e estratégicos que foram sendo implementados, mesmo em silêncio, ao longo dos anos.

  Formação e talento interno

A Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) tem apostado, desde os anos 2000, na formação local com parcerias com clubes e escolas. Vários centros de treino surgiram no arquipélago, particularmente na cidade da Praia e em São Vicente, fomentando a prática desportiva desde tenra idade. Esta aposta tem dado frutos, com jovens talentos a emergirem não só para a seleção nacional como também para os clubes estrangeiros.

   A força da diáspora

Outro dos pilares fundamentais tem sido o aproveitamento da diáspora cabo-verdiana espalhada pelo mundo, sobretudo em países como Portugal, França, Países Baixos, Suíça e Estados Unidos. Muitos jogadores nascidos ou formados fora do país optaram por representar Cabo Verde a nível internacional, aumentando exponencialmente a qualidade e profundidade da equipa.

Casos como Ryan Mendes, Garry Rodrigues, Stopira, Lisandro Semedo ou Jamiro Monteiro são exemplos de atletas que, embora tenham crescido fora de Cabo Verde, mantêm uma ligação profunda ao país de origem dos seus pais. A federação tem feito um trabalho eficaz na identificação, recrutamento e integração desses talentos, muitos deles com passagens por clubes de primeira linha europeia.

   Treinadores que compreendem o contexto

Outro elemento essencial foi a estabilidade técnica. O atual selecionador, Pedro Leitão Brito “Bubista”, está no cargo desde 2020 e tem sido uma figura agregadora. Ex-jogador internacional, conhece bem o futebol cabo-verdiano, respeita a sua cultura, e conjuga disciplina com proximidade emocional ao grupo. Sob o seu comando, Cabo Verde joga com identidade: organização defensiva, transições rápidas e espírito de equipa.


Cabo Verde atualmente parece ser a seleção dos PALOP mais estável (Créditos: balai.cv)

Estrutura e apoio institucional

Apesar das limitações económicas, Cabo Verde tem beneficiado de apoios externos e boa gestão interna. O apoio da FIFA e da CAF permitiu a construção e renovação de infraestruturas, como o Estádio Nacional (na Praia) e o Estádio Adérito Sena (em São Vicente). A criação de um centro de estágio moderno e o reforço das equipas técnicas e médicas também ajudaram a profissionalizar o ambiente da seleção.

Além disso, o sucesso da seleção serviu de catalisador para um maior envolvimento do Governo e do setor privado, que hoje veem o futebol como um veículo de projeção internacional e coesão social. A seleção é, cada vez mais, um símbolo de identidade nacional.

A campanha rumo ao Mundial de 2026

O atual apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026 é a prova viva desta maturidade. Cabo Verde lidera o Grupo D da zona africana, à frente de Camarões, Angola, Líbia, Essuatíni e Maurícias. Após seis jornadas, soma 13 pontos — fruto de quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota.

O momento mais marcante foi a vitória por 2-1 frente a Angola, em Luanda, em março de 2025, com dois golos de Dailon Livramento. Esse triunfo confirmou que a seleção já não é apenas combativa — é ambiciosa e pragmática. Já não se limita a defender com dignidade: entra para ganhar, em qualquer campo.

Caso termine o grupo em primeiro lugar, Cabo Verde qualificará automaticamente para o Mundial. Se for segundo, ainda poderá disputar uma repescagem intercontinental. Em qualquer dos cenários, o sonho está ao alcance — e é bem real.

Mais do que futebol: impacto social e simbólico

A ascensão dos Tubarões Azuis tem tido impacto para lá das quatro linhas. Em Cabo Verde, os jogos da seleção paralisam o país. São momentos de união nacional, entre cidadãos da Praia, do Mindelo, da Brava, da diáspora em Boston ou em Lisboa. O futebol tornou-se, de forma muito concreta, uma ferramenta de identidade, esperança e inspiração para as gerações mais jovens.

Para um país que enfrenta desafios económicos e estruturais, esta seleção representa um orgulho raro e precioso. O sucesso dos jogadores que partem de bairros humildes para brilhar em estádios internacionais mostra que o mérito, o esforço e a perseverança valem a pena.

Estamos perante uma das gerações cabo-verdianas mais bem preparadas para as fases finais (Créditos: CAF)

A história recente da seleção de Cabo Verde é uma daquelas narrativas que o futebol nos oferece raramente: a de um país pequeno, com recursos limitados, que se organiza, investe com inteligência e aposta no talento da sua gente para alcançar feitos extraordinários. Se a qualificação para o Mundial de 2026 se concretizar, não será um milagre. Será o culminar natural de uma década de trabalho invisível, mas profundamente eficaz.

Neste momento, mais do que nunca, os olhos estão postos nos Tubarões Azuis. E o mundo começa a perceber: Cabo Verde veio para ficar.

Qui | 07.08.25

A revolução no meio-campo do Benfica

Com o arranque de uma nova temporada, o Benfica apresenta-se com um meio-campo renovado, fruto de mudanças significativas no plantel. A saída de alguns jogadores e a chegada de novos nomes, como Enzo Barrenechea e Richard Ríos, obriga a repensar a forma como a equipa joga — e, acima de tudo, como pode evoluir. Olhando para a época passada, em que Florentino Luís e Orkun Kökçü assumiram grande parte do protagonismo no centro do terreno, importa perceber o que muda no comportamento da equipa com este novo duplo-pivot.

Richard Ríos chegou ao Benfica e assumiu logo um papel importante na equipa e no balneário (Créditos: Yahoo)

Florentino e Kokçu: equilíbrios diferentes, com bola e sem bola

Na época 2023/24, Roger Schmidt optou durante largos períodos por uma dupla composta por Florentino e Kokçu. Florentino, um “6” clássico, deu sempre garantias a nível defensivo: agressivo na recuperação, posicionalmente disciplinado e com grande capacidade de varrer os espaços entre linhas. Era, muitas vezes, o tampão à frente da defesa, permitindo que os laterais subissem com confiança e que os centrais tivessem cobertura.

Kökçü, por outro lado, foi um “8” com características híbridas. Vindo do Feyenoord, prometia criatividade, chegada à área e boa meia-distância. No entanto, demorou a adaptar-se ao modelo de Schmidt e à exigência tática da Liga portuguesa. Apesar de alguns jogos de bom nível, faltou-lhe consistência. Ainda assim, a sua presença garantia um meio-campo mais ofensivo, com capacidade para acelerar o jogo com passes verticais e transportar bola em zonas interiores.

O problema? Muitas vezes a dupla parecia desequilibrada. Florentino ficava demasiado sozinho em momentos de transição defensiva e Kokçu não conseguia compensar. A ligação ao ataque, por sua vez, ficava dependente de momentos individuais de João Mário, Rafa ou Di María, com pouca fluidez entre setores.

Na época seguinte, com a demissão de Roger Schmidt ainda no início do campeonato, Bruno Lage assumiu o leme da equipa e manteve a estrutura da equipa, jogando na maioria das vezes tal como Schmidt o fazia no meio campo, com Florentino Luís e Kokçu. 

Nestes dois anos e com ambos os treinadores, existe um fator comum: Kokçu teve claros problemas. Com Schmidt uma entrevista 'explosiva' para um orgão de comunicação neerlandês onde falava que não tinha a liberdade posicional que gostaria e, mais tarde, com Bruno Lage, em pleno Mundial de Clubes, teve uma atitude muito questionável após ser substituído por Renato Sanches.

Enzo dá ao Benfica uma construção com maior critério e assertividade (Créditos: zerozero)

A chegada de Enzo Barrenechea: físico, presença e sentido coletivo

A contratação de Enzo Barrenechea ao Aston Villa (onde esteve emprestado ao Valencia) trouxe uma nuance diferente ao meio-campo encarnado. O argentino é um médio de grandes dimensões físicas (1,87 m), mas que alia essa presença a um bom sentido posicional e inteligência no passe curto. Não é tão reativo quanto Florentino, mas oferece mais serenidade na construção.

Barrenechea posiciona-se bem entre os centrais na fase de saída e tem qualidade no primeiro passe. Dá menos mobilidade, é verdade, mas oferece uma base mais sólida para controlar ritmos. É um “6” mais construtor do que destruidor, e isso muda radicalmente a forma como o Benfica pode atacar: com mais paciência, mais controlo e menos dependência da transição.

Richard Ríos: intensidade, verticalidade e surpresa

Richard Ríos é outro perfil totalmente distinto. O colombiano, vindo do Palmeiras, é um médio mais vertical, com chegada à área, remate e uma capacidade notável para conduzir em progressão. Oferece ao Benfica algo que faltou com Kokçu: intensidade contínua e mobilidade ofensiva com critério. Tem também um bom timing de pressão, o que se encaixa bem no modelo de Schmidt, que privilegia a recuperação imediata após perda.

Se Kökçü era um médio criativo mas por vezes desligado do jogo, Ríos é um motor contínuo. Atua entre linhas, aparece em zonas de finalização e, sobretudo, sabe quando acelerar. Pode até ser utilizado como “box-to-box” puro, algo que o Benfica não teve de forma clara na época anterior.

O que muda com esta nova dupla?

Menos dependência da destruição pura: Com Florentino, o Benfica jogava com um recuperador de bolas puro. Barrenechea é mais posicional e contribui com bola. O pressing continua a ser importante, mas o foco passa para o controlo e não apenas para a reação.

Mais presença física e altura: Tanto Enzo Barrenechea como Ríos oferecem estatura e capacidade de choque — algo que faltou em vários momentos no ano passado, especialmente em jogos mais físicos ou com bolas paradas

Maior versatilidade ofensiva: Ríos tem mais golo e mais chegada do que qualquer médio da época passada. Pode libertar os alas, dar apoio ao ponta-de-lança e criar desequilíbrios com bola. Permite ao Benfica ter um meio-campo mais dinâmico e menos previsível.

Menos experiência no sistema: É um ponto importante. Florentino já conhecia perfeitamente o modelo de Bruno Lage. Kokçu também acabou por se adaptar. Barrenechea e Ríos são apostas novas e ainda estão a entrar nas dinâmicas. Haverá inevitavelmente um período de crescimento e algum risco inicial.

Impacto no modelo de jogo global: A maior capacidade de construção de Barrenechea pode permitir ao Benfica jogar com saídas mais curtas e menos bolas longas dos centrais. Já a presença de Ríos aproxima o meio-campo do ataque, o que pode beneficiar jogadores como Pavlidis, Ivanovic e os próprios extremos.

Nestes primeiros jogos, o Benfica apresenta uma melhoria significativamente na primeira construção (Créditos: NurPhoto)

Mudança de paradigma ou mera adaptação?

A mudança de Florentino/Kökçü para Barrenechea/Ríos não é apenas uma troca de peças — é uma redefinição do coração da equipa. O Benfica poderá ganhar em capacidade ofensiva e presença física, mas perder alguma segurança defensiva e rotinas já consolidadas. Tudo dependerá da forma como Bruno Lage consiga integrar estas novas peças e da velocidade com que os jogadores assimilam o modelo.

O que é certo é que o Benfica 2025/26 será diferente no meio-campo — resta saber se será mais eficaz. Os sinais são promissores, a vitória clara diante do Nice e, acima de tudo, o controlo que a dupla sul-americana assegurou no meio-campo, faz crer que tanto Ríos como Enzo foram escolhas acertadas.

Qua | 06.08.25

O desafio francês no caminho europeu do Benfica

Desde que o grupo Ineos assumiu o comando em 2019, o Nice construiu um projeto sólido e ambicioso. Em 2023‑24 garantiram o 5.º lugar na Ligue 1 e, em 2024‑25, mantiveram a consistência ao ficarem em 4.º lugar, assegurando a qualificação para os playoffs da Liga dos Campeões. A equipa mostrou equilíbrio, eficácia nos duelos e solidez nas transições, estabelecendo-se como um forte candidato ao top três em França.

No arranque da temporada 2025‑26, o Nice renovou o seu plantel com algumas saídas marcantes: o guarda‑redes Marcin Bułka juntou‑se ao futebol saudita; Gaëtan Laborde também saiu; Jean‑Clair Todibo, vendido para o West Ham, e outras movimentações libertaram recursos para reforços como o sueco Isak Jansson, o jovem Juma Bah (defesa-central emprestado pelo Manchester City) e o guarda-redes Yéhvann Diouf, ex-Reims.

Sistema tático

Franck Haise continua ao leme técnico e mantém a aposta num 4‑3‑3 dinâmico, com pressão alta e transições rápidas em ataque. A equipa organiza-se com extremos abertos e médios interiores móveis, garantindo fluidez ofensiva mas sem negligenciar o equilíbrio defensivo. A construção parte dos centrais ou de jogadores como Boudaoui/Rosario, com passes verticais que exploram corredores e saídas rápidas para os avançados.

Na defesa, figura a liderança de Dante, ainda aos 41 anos, que traz experiência e organização. Ao seu lado ou na linha defensiva apresentam-se Mohamed Abdelmonem, Moïse Bombito, Melvin Bard, Ali Abdi e o jovem Juma Bah como opção emergente.

No meio-campo, Hicham Boudaoui tem brilhado: aos 25 anos, foi alvo de interesse do Manchester United e afirma-se como um dos melhores médios defensivos da Ligue 1, graças à sua força física, capacidade de recuperação e passes longos. Juntam-se-lhe Pablo Rosario, equilibrador posicional, e o recém-chegado Gabin Bernardeau, médio mais jovem com boa visão e potencial para dinamizar o colectivo

No ataque, as opções mais frescas e decisivas incluem Isak Jansson, extremo sueco recém-contratado com potencial ofensivo; Terem Moffi; Mohamed‑Ali Cho, promissor centro‑avançado com velocidade; além de Sofiane Diop, Jérémie Boga e Evann Guessand (que não jogará a partida de hoje devido a lesão), capazes de criar desequilíbrios.

Jogadores-chave para observar

- Hicham Boudaoui: o pivô do meio-campo, essencial para controlar o ritmo do jogo, recuperar bolas e lançar contra-ataques. A sua presença pode condicionar o Benfica no meio-campo.

- Yéhvann Diouf: substitui Bułka na baliza; chega com boa reputação de clean sheets e experiência em Reims, e a pressão europeia será um novo teste para ele.

- Isak Jansson: recém-chegado da Áustria, é veloz, criativo e com instinto para o golo e assistências. Espera-se que traga imprevisibilidade às transições ofensivas.

- Terem Moffi e Cho formam um leque atacante versátil, com mobilidade e finalização; podem explorar os espaços criados pelo sistema de Haise.

Contexto europeu e expectativas

Apesar das participações limitadas, o Nice tem sido consistente em contextos europeus recentes, participando na Europa League 2024‑25 e agora na Champions 2025‑26, pelo mérito no campeonato doméstico. O coletivo mostra resiliência competitiva e coerência táctica — elementos fundamentais nestes duelos a eliminar em casa e fora.

A eliminatória com o Benfica será um teste de alto nível. o Nice deverá procurar controlar o meio-campo com Boudaoui e Rosario, pressionar alto desde a defesa organizada com Dante, Bombito ou Abdelmonem, e sair em transição rápida explorando os flancos com Jansson e Diop. A dupla ofensiva ou rotativa com Moffi ou Cho poderá ser decisiva na busca de golos fora ou em casa.

Em resumo, o Nice de 2025 é uma equipa cada vez mais madura e competitiva — com estrutura estável, reforços bem escolhidos, um estilo de jogo moderno e jogadores em sintonia com a táctica de Haise. Frente ao Benfica, apresenta-se com capacidade para complicar a eliminatória nos dois duelos e é um adversário de respeito tanto em Nice como na Luz.

Ter | 05.08.25

Jorge Costa: o adeus do Capitão

O futebol português está de luto com a notícia da morte de Jorge Costa, uma das figuras mais marcantes da história recente do desporto nacional. O antigo internacional português, lendário capitão do FC Porto e atual diretor de futebol do clube, faleceu no dia 5 de agosto de 2025, aos 53 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória sofrida no centro de treinos do Olival.

O seu futebol, por vezes duro e agressivo, deram-lhe a alcunha de 'bicho'. 

A tragédia ocorreu durante uma manhã de trabalho aparentemente normal. Jorge Costa tinha participado numa entrevista pouco antes de se sentir indisposto. As equipas médicas do clube prestaram-lhe assistência imediata no local, tendo utilizado um desfibrilhador para tentar reanimá-lo. Ainda foi transportado com urgência para o Hospital de São João, no Porto, mas os esforços revelaram-se infrutíferos. A sua morte foi confirmada pouco tempo depois, mergulhando o universo portista e o futebol nacional num profundo estado de choque e tristeza.

Ícone no FC Porto

Jorge Paulo Costa Almeida nasceu no Porto, a 14 de outubro de 1971, e desde cedo se percebeu que o seu destino estava ligado à bola. Formado nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto, viria a tornar-se não só um dos maiores centrais da sua geração, mas também um símbolo de liderança, garra e fidelidade. A alcunha que o acompanharia durante toda a carreira — “O Bicho” — refletia bem o seu estilo agressivo, determinado e inflexível dentro de campo. Era um defesa que impunha respeito, que não recuava perante nenhum adversário e que liderava com o exemplo.

Foi precisamente essa força de carácter que o elevou à condição de capitão de referência do FC Porto durante mais de uma década. Conquistou tudo o que havia para conquistar ao serviço do clube: desde os campeonatos nacionais às competições europeias. Os momentos mais altos da sua carreira surgiram sob a liderança de José Mourinho, com quem venceu a Taça UEFA em 2003 e a Liga dos Campeões em 2004. A final de Gelsenkirchen, frente ao Mónaco, onde o FC Porto venceu por 3-0, imortalizou Jorge Costa como um dos grandes heróis dessa geração dourada.

Para além de uma vasta carreira como jogador, Jorge Costa foi treinador até 2024 quando subiu o AFS à primeira liga.

Ao longo da sua carreira de jogador, Jorge Costa vestiu a camisola azul e branca em centenas de jogos, fez parte de campanhas históricas e ergueu troféus com a autoridade de quem nasceu para liderar. A sua relação com o clube foi sempre de uma lealdade inquestionável, mesmo quando, por razões disciplinares e desportivas, teve uma breve passagem pelo futebol inglês, ao serviço do Charlton Athletic. Regressaria pouco depois ao Porto, onde continuaria a ser uma voz de comando dentro do balneário até pendurar as chuteiras em 2006, após uma curta passagem pelo Standard Liège.

Na seleção nacional, Jorge Costa somou 50 internacionalizações e participou em grandes competições como o Euro 2000 e o Mundial 2002. Foi campeão mundial de sub-20 em 1991, num feito que marcou uma geração inteira do futebol português. Embora não tenha sido sempre titular indiscutível, era presença assídua nos convocados e respeitado por colegas e adversários.

Carreira como treinador

Depois da carreira nos relvados, enveredou pela via do treino. Passou por diversos clubes portugueses, como SC Braga, Académica ou Olhanense, e teve ainda experiências no estrangeiro — Chipre, Tunísia, Índia — além de uma passagem pela seleção do Gabão. Em 2024, voltou ao clube do coração, o FC Porto, desta vez como diretor de futebol profissional, onde trabalhava até à data da sua morte.

A notícia do falecimento de Jorge Costa deixou o mundo do futebol em estado de comoção. Figuras públicas, ex-colegas, treinadores e clubes rivais prestaram homenagem à sua memória, lembrando não apenas o jogador de raça, mas também o homem íntegro, leal e apaixonado pelo futebol. O FC Porto emitiu um comunicado emocionado, recordando o seu antigo capitão como um exemplo eterno de dedicação ao clube.

A perda de Jorge Costa representa muito mais do que a morte de um antigo jogador. Representa o fim de uma era. Ele era o espelho de uma forma de estar no futebol que hoje é cada vez mais rara — feita de entrega total, de sacrifício, de amor à camisola. Um verdadeiro capitão, dentro e fora de campo.

Jorge Costa deixa um legado que vai muito além dos títulos conquistados. Deixa um exemplo. Um nome que ficará para sempre ligado à história do FC Porto e do futebol português. A sua voz, a sua presença imponente e o seu olhar feroz permanecerão gravados na memória de todos os que amam este desporto.

Sab | 02.08.25

Águia voa mais alto e conquista a 10º Supertaça

A época futebolística portuguesa abriu oficialmente com o sempre escaldante dérbi da Supertaça Cândido de Oliveira, disputado no Estádio Algarve, que viu o Benfica levar a melhor sobre o Sporting com uma vitória magra, mas suficiente, por 1-0. O herói da noite, que vestiu a capa de "Homem do Jogo", foi o avançado grego Vangelis Pavlidis, cujo golo solitário na segunda parte decidiu a contenda e entregou o primeiro troféu da temporada à equipa encarnada.

Os festejos dos jogadores do SL Benfica (Créditos: Miguel A. Lopes/Lusa)

Uma primeira parte de estudo e poucas emoções

A expectativa era enorme para este primeiro embate entre os rivais lisboetas, e o Algarve vestiu-se de vermelho e verde para acolher as duas massas adeptas que fizeram uma autêntica romaria ao sul do país. No entanto, o que se viu nos primeiros 45 minutos foi um jogo pautado por um certo nervosismo e pouca fluidez.

O Sporting, bicampeão nacional e detentor da Taça de Portugal, tentou impor o seu ritmo, com Geny a recuar para apoiar a construção e algumas investidas que prometeram perigo. Chegaram mesmo a ver um golo de Pedro Gonçalves anulado pelo VAR, por fora de jogo de Harder, num lance que aqueceu as bancadas por momentos. Apesar disso, a equipa de Rui Borges ainda demonstrava estar em fase de adaptação, órfã da sua principal referência atacante da época passada e com a necessidade de criar novas rotinas.

Do lado do Benfica, sob a batuta de Bruno Lage, a equipa mostrava-se com várias caras novas e ainda a procurar a melhor ligação. A posse de bola era uma prioridade, mas a chegada à baliza de Rui Silva pecava pela falta de objetividade. Pavlidis, com um cabeceamento, foi o mais perto que as águias estiveram de inaugurar o marcador na primeira parte. O intervalo chegou com um empate a zeros, que espelhava bem o equilíbrio e a cautela de ambas as partes.

Pavlidis foi o marcador do único golo do jogo (Créditos: Miguel Nunes)

Pavlidis decide e o Benfica garantiu o primeiro título da época

A segunda parte trouxe consigo a mudança que os adeptos encarnados tanto ansiavam. Logo aos 50 minutos, o Benfica desbloqueou o marcador. Numa jogada iniciada por Dahl pela esquerda, a bola acabou por sobrar para Pavlidis à entrada da área. O avançado grego não hesitou e, com um remate rasteiro, bateu Rui Silva, que ainda tocou na bola, mas não evitou que esta se aninhasse no fundo das redes.

O golo de Pavlidis não só colocou o Benfica em vantagem, como também injetou uma dose de confiança na equipa de Bruno Lage, que passou a controlar melhor o ritmo do jogo. O Sporting sentiu o golo e perdeu algum do fulgor inicial, apesar das tentativas de Rui Borges em refrescar a equipa com substituições.

A reta final da partida foi marcada por um dérbi tenso e com alguns momentos de maior intensidade, incluindo uma confusão generalizada entre os bancos de suplentes e a expulsão do suplente leonino St. Juste por protestos. No entanto, o resultado não se alterou e o Benfica soube gerir a vantagem até ao apito final de Fábio Veríssimo.

Um jogo escasso de oportunidades  (Créditos: Twitter/X)

A festa vermelha e branca

Com este triunfo, o Benfica conquista a sua décima Supertaça Cândido de Oliveira, isolando-se no segundo lugar do palmarés da competição, apenas atrás do FC Porto. A festa foi naturalmente vermelha e branca no Estádio Algarve, com os adeptos encarnados a celebrarem o primeiro título da época.

Para o Benfica, a vitória na Supertaça é um importante tónico para o início da temporada, especialmente tendo em vista o apuramento para a Liga dos Campeões. Para o Sporting, apesar da derrota, a equipa mostrou sinais interessantes, mas ainda tem trabalho pela frente para afinar a orquestra e encontrar o caminho para o golo de forma mais consistente.

O grego Pavlidis, provou mais uma vez a sua importância para o Benfica, sendo o fator diferenciador numa noite de poucas oportunidades. A Supertaça é o primeiro passo, e a temporada promete ser longa e repleta de emoções para os dois rivais.

O próximo jogo do Sporting será já para o campeonato nacional diante do Casa Pia enquanto o Benfica terá os dois jogos do playoff da Liga dos Campeões diante do Nice.